O Microempreendedor Individual (MEI) está mais perto de ter um novo limite de faturamento. O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026, que prevê elevar o teto geral de receita bruta anual dos atuais R\$ 81 mil para R\$ 110 mil em 2027 e R\$ 140 mil em 2028.
O texto passou pela Câmara dos Deputados em 14 de outubro e foi aprovado pelo Senado Federal em 15 de outubro de 2026, por 78 votos favoráveis e nenhum contrário. Em 16 de outubro de 2026, a proposta ainda aguardava sanção presidencial. Portanto, os valores anunciados para os próximos anos não devem ser tratados como limites já em vigor.
Mas o que muda para o empreendedor? Como fica o faturamento em 2026? E o que acontece com quem já ultrapassou o limite atual? Veja as regras, exemplos práticos e cuidados que merecem atenção.
Novo teto do MEI: o que foi aprovado?
O PLP 186/2026 atualiza gradualmente o limite de faturamento do MEI, permitindo que pequenos negócios cresçam sem precisar sair tão cedo do regime simplificado, desde que continuem atendendo às demais condições legais.
| Ano | Limite anual geral | Situação em 16/10/2026 |
|---|---|---|
| 2026 | R\$ 81.000,00 | Em vigor |
| 2027 | R\$ 110.000,00 | Previsto no projeto aprovado; depende de sanção |
| 2028 | R\$ 140.000,00 | Previsto no projeto aprovado; depende de sanção |
Os valores apresentados são do MEI em geral. O MEI transportador autônomo de cargas possui limites e regras próprios, que precisam ser analisados separadamente.
Qual é o limite de faturamento do MEI em 2026?
Em 2026, o limite anual geral permanece em R\$ 81 mil para o MEI que exerceu a atividade durante todo o ano. Esse teto equivale a uma média de R\$ 6.750 por mês, mas não constitui um limite fixo para cada mês de operação.
Um empreendedor pode faturar R\$ 10 mil em um mês e menos em outro. Para verificar o enquadramento, deve observar a receita bruta acumulada no ano-calendário, além das regras para início de atividade e eventual desenquadramento.
Faturamento é receita bruta, e não lucro. Gastos com aluguel, mercadorias, equipamentos e outras despesas não podem ser simplesmente abatidos das vendas e dos serviços para verificar se o MEI respeitou o teto.
Quando o novo limite de faturamento começa a valer?
O Congresso concluiu a votação do projeto em 15 de outubro de 2026, mas a aprovação parlamentar não basta para a mudança produzir efeitos. Ainda é necessária a etapa de sanção presidencial e a publicação da norma correspondente.
Se o texto entrar em vigor conforme aprovado, o teto geral será de R\$ 110 mil em 2027 e de R\$ 140 mil em 2028. Até que isso aconteça, o empreendedor deve seguir a legislação vigente.
Outro cuidado importante: uma alteração futura do teto não regulariza automaticamente o excesso de faturamento de 2026. A análise de cada ano deve considerar as regras que lhe são aplicáveis.
Como fica o limite proporcional para quem abrir o MEI durante o ano?
Quando o CNPJ é aberto depois de janeiro, o limite é proporcional ao número de meses de atividade no ano de abertura. Frações de mês são consideradas mês completo, conforme a sistemática aplicável.
Em 2026, a referência do MEI comum é de R\$ 6.750 por mês. Para as mudanças previstas pelo PLP, o Senado informa os valores de referência de R\$ 9.166,67 para 2027 e R\$ 11.666,67 para 2028, sujeitos à entrada em vigor da nova lei.
| Ano | Referência para o limite proporcional |
|---|---|
| 2026 | R\$ 6.750,00 por mês de atividade |
| 2027 | R\$ 9.166,67 por mês de atividade (proposto) |
| 2028 | R\$ 11.666,67 por mês de atividade (proposto) |
Exemplo: se uma pessoa abriu o MEI em setembro de 2026, serão considerados quatro meses de atividade até dezembro. Seu limite proporcional para 2026 será de R\$ 27.000,00 (4 × R\$ 6.750,00).
Essas referências mensais servem para apurar o teto proporcional no ano de abertura. Elas não significam que um MEI que funciona durante todo o ano tenha um limite rígido de faturamento em cada mês.
Exemplo prático: como o aumento poderá beneficiar o empreendedor?
Imagine uma profissional de serviços que fature R\$ 8 mil por mês ao longo de um ano inteiro. Sua receita bruta anual será de R\$ 96 mil.
Nas regras atuais de 2026, esse valor excede o limite geral de R\$ 81 mil e exige atenção às regras de desenquadramento. Se a proposta for sancionada e produzir efeitos em 2027 como previsto, os mesmos R\$ 96 mil estarão dentro do novo teto geral de R\$ 110 mil, desde que a empreendedora cumpra as demais exigências para ser MEI.
Isso não significa que o novo limite possa ser aplicado retroativamente ao ano de 2026. Cada período deve ser analisado de maneira independente.
O que acontece se o MEI ultrapassar o limite em 2026?
O excesso de receita pode causar o desenquadramento do Simei, e seus efeitos variam conforme o valor ultrapassado e a situação da empresa.
Excesso de até 20% do limite anual
Para um MEI comum que esteve ativo durante todo o ano de 2026, a faixa de até 20% acima do teto corresponde a R\$ 97.200,00 (R\$ 81 mil acrescidos de 20%).
Se o faturamento anual for de R\$ 90 mil, por exemplo, o excesso está dentro dessa faixa. Em regra, o desenquadramento terá efeitos a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, e o empreendedor deverá observar o recolhimento complementar e os procedimentos previstos na legislação.
Excesso superior a 20% do limite anual
Se o faturamento superar R\$ 97.200,00 em 2026, o desenquadramento, em regra, terá efeitos retroativos a 1º de janeiro do próprio ano, com necessidade de apurar tributos e regularizar as obrigações correspondentes. Para empresas abertas no mesmo ano, podem existir efeitos retroativos à data de abertura.
A faixa de 20% não é um novo limite permanente de faturamento. Ela é utilizada para definir as consequências do excesso. Por isso, quem estiver próximo do teto deve acompanhar as receitas e buscar orientação contábil antes de encerrar o ano.
O novo teto muda a Declaração Anual do MEI?
O aumento do limite de faturamento não extingue, por si só, a Declaração Anual Simplificada do Simples Nacional (DASN-SIMEI). Nela, o MEI informa a receita bruta do ano-calendário anterior e outras informações exigidas pelo sistema.
Vendas e serviços pagos por Pix, cartão, transferência ou dinheiro devem ser considerados conforme a natureza da operação. Nem todo depósito bancário é faturamento: empréstimos e transferências entre contas próprias, por exemplo, exigem identificação correta.
O MEI que não teve faturamento também deve observar a obrigação de declarar, conforme seu período de enquadramento no Simei.
Para saber como preencher e transmitir a declaração, veja também nosso artigo Declaração Anual do Simples Nacional 2026: quem deve entregar, prazos, multas e como fazer.
Contratação de empregados e perdão de dívidas: o que mais prevê o projeto?
Além da atualização do teto, o PLP 186/2026 prevê ampliar de um para até dois o número de empregados que podem ser contratados por MEI, observadas as condições previstas em lei.
O texto também trata de remissão de determinados débitos com a União e de medidas relacionadas à participação dos pequenos negócios em contratações públicas. As regras para benefícios ligados a dívidas incluem condições específicas, de modo que não se deve interpretar a aprovação do projeto como perdão automático e imediato de qualquer débito.
Essas medidas também dependem da sanção e da entrada em vigor da legislação, além do cumprimento dos requisitos que vierem a ser aplicáveis.
O que o microempreendedor deve fazer agora?
- Acompanhar o faturamento acumulado: manter registros mensais de vendas e serviços e conferir os documentos fiscais.
- Não antecipar o teto de 2027: em 2026, o limite geral continua em R\$ 81 mil.
- Separar receita bruta de despesas: o cálculo do teto não considera apenas o lucro do negócio.
- Conferir a DASN-SIMEI: manter a declaração anual e as obrigações mensais em dia.
- Avaliar eventuais excessos: verificar, com apoio contábil, se há obrigação de desenquadramento e recolhimentos complementares.
- Acompanhar a sanção presidencial: observar o texto definitivo e as datas em que as novas regras produzirão efeitos.
Perguntas frequentes sobre o aumento do teto do MEI
O limite do MEI já passou para R\$ 110 mil?
Não. Em 16 de outubro de 2026, o Congresso havia aprovado o novo limite proposto para 2027, mas o texto aguardava sanção presidencial. Para 2026, o teto geral continua em R\$ 81 mil.
O MEI poderá faturar R\$ 140 mil em 2027?
O texto aprovado prevê R\$ 110 mil para 2027 e R\$ 140 mil para 2028, condicionado à conclusão do processo legislativo e à vigência da lei.
Quem faturou R\$ 100 mil em 2026 será regularizado pelo novo limite?
Não automaticamente. O excesso ocorrido em 2026 precisa ser analisado de acordo com o teto e as regras aplicáveis a esse ano, inclusive os efeitos do desenquadramento.
O aumento do teto significa que o MEI vai pagar mais DAS?
A ampliação do limite de receita, por si só, não define um novo valor para o DAS mensal. O recolhimento continua sujeito à legislação aplicável, ao salário mínimo e aos tributos correspondentes à atividade exercida.
Conclusão
A aprovação do PLP 186/2026 pelo Congresso é um passo importante para a atualização das regras do Microempreendedor Individual. A proposta de elevar o teto geral para R\$ 110 mil em 2027 e R\$ 140 mil em 2028 pode dar mais espaço para o crescimento dos pequenos negócios.
Contudo, aprovação no Congresso não significa vigência imediata. Até a sanção e a entrada em vigor da nova lei, continuam valendo as regras atuais, inclusive o limite geral de R\$ 81 mil em 2026.
O Estudando Contábeis seguirá acompanhando a evolução da legislação e seus efeitos práticos para o MEI e os profissionais da contabilidade.
Referências oficiais
- Senado Notícias — Senado aprova aumento do teto para MEI e perdão de dívidas.
- Senado Federal — Tramitação do PLP 186/2026.
- Governo Federal — Qual é o faturamento anual do MEI?.
- Governo Federal — Desenquadramento do MEI.
Informações verificadas em 16 de outubro de 2026. As alterações previstas para 2027 e 2028 estão sujeitas à sanção presidencial e à entrada em vigor da norma.